A cirurgia micrográfica de Mohs é uma técnica utilizada no tratamento de determinados cânceres de pele, especialmente em regiões delicadas da face, como nariz, pálpebras, lábios e orelhas.
Seu principal diferencial é permitir a retirada do tumor em etapas, com avaliação microscópica das margens durante o próprio procedimento. Assim, busca-se remover completamente a lesão preservando o máximo possível de tecido saudável.
Como funciona a cirurgia de Mohs?
Inicialmente, o tumor visível e uma fina camada ao seu redor são retirados. Esse material é mapeado e analisado ao microscópio.
Se ainda houver células tumorais em algum ponto, uma nova camada é retirada apenas naquela região.
O processo continua até que as margens examinadas estejam livres.
Na maior parte dos casos, o procedimento é realizado com anestesia local e concluído no mesmo dia.
Por que Mohs é especialmente importante na face?
Na face, cada milímetro de tecido pode ter importância estética e funcional.
Além disso, alguns tumores possuem extensões microscópicas que ultrapassam aquilo que conseguimos enxergar externamente.
A técnica de Mohs permite identificar essas extensões e direcionar a retirada apenas para onde ainda existe doença, evitando remover tecido saudável desnecessariamente.
A jornada do paciente
1. Avaliação
São analisados o diagnóstico, a localização do tumor, cirurgias anteriores e as características da região.
Quando a lesão está na face, também é importante antecipar as possibilidades de fechamento após sua retirada.
2. Cirurgia de Mohs
O tumor é retirado progressivamente e suas margens avaliadas durante o procedimento.
O defeito final pode ser maior que a lesão inicialmente visível, pois algumas extensões do tumor somente aparecem durante a análise microscópica.
3. Reconstrução facial
Depois da confirmação das margens livres, inicia-se o planejamento do fechamento.
Dependendo da localização e do tamanho do defeito, podem ser utilizados fechamento direto, retalhos locais, enxertos de pele ou outras formas de rearranjo dos tecidos.
Reconstrução da face após Mohs
Na face, não basta simplesmente aproximar as bordas da ferida.
Nariz, pálpebras, lábios e orelhas possuem contornos e estruturas que precisam ser respeitados para preservar forma e função.
O planejamento considera linhas naturais da pele, posição das estruturas, qualidade dos tecidos e localização das cicatrizes.
Em casos selecionados, o tratamento pode ser realizado de forma integrada entre o profissional responsável pela cirurgia de Mohs e o cirurgião plástico responsável pelo fechamento e refinamento da região.
E a cicatriz?
Toda retirada de pele produz uma cicatriz.
Após Mohs, o objetivo da cirurgia plástica é distribuir tensões e posicionar as incisões da forma mais favorável possível dentro da anatomia disponível.
A cicatriz amadurece progressivamente ao longo dos meses e pode receber cuidados complementares conforme sua evolução.
Recuperação
A recuperação depende da localização, do tamanho do defeito e da técnica utilizada.
Edema e equimoses podem ocorrer nos primeiros dias, principalmente em regiões próximas aos olhos. Curativos, retirada de pontos, proteção solar e acompanhamento são orientados individualmente.
Primeiro, controle preciso do tumor. Depois, reconstrução respeitando a anatomia da face.
Dr. Cássio César Arrais Leão
Cirurgião Plástico
CRM-DF 26070 · RQE 20448
Brasília — Distrito Federal