A avaliação por imagem ajuda a entender a condição das próteses, da cápsula ao redor do implante e dos tecidos da mama. Muitas vezes, a paciente está sem sintomas, mas quer saber se está tudo bem. Em outras situações, ela percebe dor, endurecimento, mudança no formato, assimetria, líquido ao redor da prótese ou suspeita de ruptura. Nesses casos, os exames ajudam a sair do “achismo” e tomar decisões com mais segurança.
A mamografia é importante principalmente para o rastreamento e avaliação do tecido mamário, especialmente conforme a idade e o histórico da paciente. Em mulheres com próteses, ela pode ser realizada com técnicas específicas para tentar afastar o implante e visualizar melhor a mama. Mas ela não é o melhor exame para avaliar ruptura intracapsular do silicone, principalmente quando a ruptura ainda está contida dentro da cápsula.
A ultrassonografia costuma ser um exame muito útil no primeiro contato com a queixa da paciente. Ela pode avaliar o tecido mamário, pesquisar nódulos, identificar líquido ao redor da prótese, alterações na cápsula, sinais sugestivos de ruptura e linfonodos na axila. Quando existe suspeita de complicação associada ao implante, muitas vezes é um exame inicial prático, acessível e importante.
A ressonância magnética é um dos exames mais completos para avaliar a integridade dos implantes de silicone, especialmente quando há suspeita de ruptura silenciosa, contratura capsular ou quando a ultrassonografia não esclarece totalmente o caso. Para avaliar ruptura do implante, muitas vezes a ressonância é feita sem contraste. Quando o objetivo é investigar tecido mamário, nódulos ou outras alterações específicas, o protocolo pode ser diferente.
Não existe um único exame melhor para todas as situações. A mamografia é mais voltada para avaliação/rastreamento do tecido mamário. A ultrassonografia costuma ser muito útil para avaliação inicial, líquido, cápsula, axila e suspeitas pontuais. A ressonância é mais detalhada para estudar a integridade do implante, principalmente em casos duvidosos ou suspeita de ruptura do silicone. A escolha depende da idade da paciente, dos sintomas, do tipo de prótese, do tempo de cirurgia e do que se deseja investigar.
Para implantes de silicone, a recomendação do FDA é realizar ultrassonografia ou ressonância magnética a partir de 5 a 6 anos após a colocação do implante e, depois, repetir a cada 2 a 3 anos, mesmo sem sintomas. Essa recomendação não substitui o rastreamento mamário habitual indicado pela mastologia ou ginecologia.
Se houver dor, endurecimento, aumento de volume, assimetria recente, alteração no formato, líquido ao redor da prótese ou nódulo, a avaliação deve ser feita antes do intervalo de rotina. Nesses casos, o exame não é apenas “controle”; ele passa a fazer parte da investigação de uma queixa real.
Os exames podem sugerir alterações relacionadas à cápsula, ao posicionamento da prótese, ao líquido ao redor do implante e à integridade do silicone. Mas a contratura capsular também depende muito do exame físico. Por isso, a imagem ajuda, mas não substitui a avaliação médica.
Sim, principalmente a ultrassonografia e a ressonância. A ruptura pode ser evidente em alguns casos, mas também pode ser silenciosa. Quando a ultrassonografia deixa dúvida ou quando há maior suspeita, a ressonância pode ser indicada para esclarecer melhor. O FDA descreve a ressonância como o método mais efetivo para detectar ruptura silenciosa de implantes de silicone, com a ultrassonografia como alternativa aceitável em pacientes sem sintomas.
A imagem dos implantes mamários não serve apenas para “ver se a prótese rompeu”. Ela ajuda a avaliar a mama, a cápsula, a presença de líquido, a axila, o tecido mamário e possíveis complicações. Mamografia, ultrassonografia e ressonância têm funções diferentes e podem se complementar. O mais importante é escolher o exame certo para a dúvida certa — e interpretar o resultado junto com a história da paciente e o exame físico.
Médico, empresário, cirurgião geral e cirurgião plástico, com mais de uma década de formação, especialista em plástica mamária estética, reconstrutiva oncológica, explantes e mamoplastias sem próteses. Título de especialista pelo MEC, SBCP, AMB. CRM-DF 26070 | RQE Cirurgia Plástica 20448.