A reconstrução mamária após radioterapia exige um planejamento mais cuidadoso. A pele irradiada costuma ficar mais fina, rígida, sensível e com menor capacidade de cicatrização. Por isso, a escolha da técnica não deve ser baseada apenas no desejo estético, mas principalmente na segurança e na qualidade dos tecidos disponíveis. A radioterapia pode aumentar o risco de cicatrização difícil, contratura, endurecimento da mama reconstruída e necessidade de cirurgias complementares.
Depois da radioterapia, a pele da mama pode perder elasticidade, vascularização e capacidade de expansão. Isso significa que nem sempre é possível reconstruir a mama da mesma forma que em uma paciente que não irradiou. Em muitos casos, é preciso trazer tecido saudável para a região ou preparar a pele em etapas.
2. Nem sempre o implante é a melhor primeira opção
Em algumas pacientes, o uso de expansor ou implante pode ser possível, mas a radioterapia aumenta o risco de endurecimento, exposição, infecção, dor e resultado menos previsível. Por isso, a reconstrução com prótese precisa ser muito bem indicada e acompanhada de perto.
3. Retalhos podem ser importantes
Quando a pele irradiada está muito comprometida, pode ser necessário usar tecidos da própria paciente para melhorar a cobertura, a forma e a segurança da reconstrução. Os retalhos trazem pele, gordura e vascularização melhores para uma área que foi danificada pelo tratamento oncológico.
4. A lipoenxertia pode ajudar muito
A enxertia de gordura pode ser utilizada para melhorar a qualidade da pele irradiada, suavizar irregularidades, aumentar a espessura dos tecidos e refinar o contorno da mama reconstruída. Em muitos casos, ela não é apenas estética: é parte importante da reconstrução.
5. A reconstrução pode precisar de etapas
A paciente precisa entender que a reconstrução após radioterapia raramente é uma cirurgia única e simples. Pode ser necessário fazer primeiro a melhora dos tecidos, depois reconstruir volume, depois simetrizar a outra mama e, por fim, reconstruir aréola e mamilo quando indicado.
6. A mama contralateral também entra no planejamento
Muitas vezes, para alcançar melhor simetria, pode ser indicada mastopexia, redução ou ajuste da outra mama. O objetivo não é apenas “fazer uma mama nova”, mas buscar equilíbrio entre as duas mamas, respeitando as limitações deixadas pelo tratamento oncológico.
7. O resultado precisa ser realista
A reconstrução após radioterapia pode melhorar muito a forma da mama, o conforto com roupas, a autoestima e a sensação de encerramento de uma fase difícil. Mas a paciente precisa saber que a mama reconstruída não será igual à mama natural, e o resultado depende da pele, da cicatrização, da anatomia e dos tratamentos prévios.
8. A segurança vem antes da estética
Nesses casos, a pressa pode ser inimiga do resultado. Antes de qualquer cirurgia, é essencial avaliar exames, histórico oncológico, qualidade da pele, cicatrizes, presença de dor, contraturas, infecções prévias e condição geral da paciente. A reconstrução deve caminhar junto com a segurança.
9. O convênio pode participar em alguns casos
Em situações relacionadas à reconstrução mamária oncológica, pode haver possibilidade de solicitação ao plano de saúde para cobertura de internação, anestesia, materiais e determinados códigos cirúrgicos, conforme indicação médica e regras contratuais. Os honorários da equipe médica e procedimentos complementares são avaliados individualmente.
10. Reconstruir também é devolver autonomia
Para muitas mulheres, a reconstrução mamária após radioterapia não é apenas sobre volume ou simetria. É sobre voltar a se olhar com mais tranquilidade, vestir uma roupa sem lembrar da doença o tempo todo e recuperar parte da própria história com segurança, técnica e cuidado.
Médico, empresário, cirurgião geral e cirurgião plástico, com mais de uma década de formação, especialista em plástica mamária estética, reconstrutiva oncológica, explantes e mamoplastias sem próteses. Título de especialista pelo MEC, SBCP, AMB. CRM-DF 26070 | RQE Cirurgia Plástica 20448.