Hoje existem algumas tecnologias que podem ajudar nesse processo. As mais conhecidas são a radiofrequência, como BodyTite e FaceTite; o ultrassom, como o Vaser; o laser; e o plasma de hélio, conhecido por muitos como Renuvion.
Todas elas têm a mesma ideia geral: entregar algum tipo de energia no tecido, gerar calor controlado e estimular contração do colágeno. Em alguns casos, isso pode ajudar a pele a retrair melhor depois da lipoaspiração.
Mas aqui vem a parte mais importante: tecnologia não transforma uma pele muito flácida em uma pele firme.
Ela pode ajudar quando existe flacidez leve a moderada, boa qualidade de pele e uma indicação bem feita. Principalmente naquelas pacientes que estão no limite entre fazer apenas uma lipo ou precisar de retirada de pele.
Mas quando existe sobra grande, pele muito fina, muitas estrias, grande perda de peso, diástase importante ou flacidez real, a tecnologia sozinha não resolve. Nesses casos, insistir em “retrair pele” pode gerar frustração, irregularidade, ondulações e um resultado aquém do esperado.
O Vaser, por exemplo, é muito conhecido na lipoaspiração. Ele usa ultrassom para ajudar a soltar a gordura antes da aspiração. Pode facilitar a definição, o refinamento e o trabalho em algumas áreas. Mas não deve ser vendido como garantia de pele colada.
A radiofrequência também pode ajudar na retração em casos selecionados. É uma das tecnologias com bons resultados descritos, especialmente quando o problema é uma flacidez discreta ou moderada. Mas também depende muito da espessura da pele, da idade, do colágeno, da área tratada e da técnica.
O laser segue uma lógica parecida. Pode gerar aquecimento interno e algum estímulo de retração. Mas, de novo, não substitui uma cirurgia quando existe sobra de pele de verdade.
Já o Renuvion, ou plasma de hélio, é uma tecnologia potente e precisa ser usada com muita responsabilidade. Ela pode ter indicação em alguns casos, mas não é uma ferramenta para ser banalizada. Como qualquer energia aplicada por baixo da pele, existe risco de queimadura, fibrose, irregularidade e complicações se a indicação ou a execução não forem corretas.
Então, quando eu avalio uma paciente, eu não começo pela tecnologia.Eu começo pela pele. A pergunta principal não é: “qual aparelho vamos usar?”
A pergunta principal é: “essa pele tem capacidade de retrair?” Se a resposta for sim, uma tecnologia pode ser uma aliada. Se a resposta for não, o caminho mais honesto talvez seja outro: retirar pele, fazer uma abdominoplastia, uma braquioplastia, uma cruroplastia, um lifting, ou simplesmente aceitar que uma lipo isolada terá limites.
A tecnologia é muito bem-vinda quando ela entra no lugar certo. Mas ela não deve ser usada para prometer aquilo que a biologia não consegue entregar. No fim, o melhor resultado não vem do aparelho mais famoso. Vem de uma boa indicação, de uma conversa sincera e de escolher o procedimento que respeita o corpo da paciente.