Na cirurgia estética, geralmente a paciente chega querendo melhorar uma mama que já existe. Às vezes quer levantar. Às vezes quer reduzir. Às vezes quer mais volume, mais colo, mais simetria. É uma cirurgia em cima de uma anatomia que, na maioria das vezes, está preservada.
Na reconstrução mamária, o ponto de partida é diferente.
Muitas pacientes chegam depois de uma mastectomia, de uma cirurgia oncológica, de radioterapia, de cicatrizes, de medo, de um período muito difícil. E aí a mama não é só estética. A mama vira uma parte da história daquela paciente.
É muito normal chegar querendo o melhor resultado possível. Querendo que fique igual ao outro lado. Querendo voltar a ser como era antes. E eu entendo de verdade esse desejo.
Mas eu também preciso ser honesto.
Na reconstrução mamária, nem sempre existe o “ideal”. Existe o possível. Existe o seguro. Existe aquilo que aquele tecido permite fazer. Existe o melhor caminho para aquele corpo, naquele momento.
Às vezes a reconstrução precisa de etapas. Às vezes precisa de ajustes. Às vezes uma mama responde de um jeito e a outra responde de outro. Às vezes a radioterapia muda completamente a pele, a elasticidade, a cicatrização.
E nada disso significa fracasso.
Significa apenas que reconstruir uma mama é diferente de fazer uma mama estética.
Reconstruir é tentar devolver forma, volume, conforto e, principalmente, uma relação melhor com o próprio corpo.
Não é apagar o que aconteceu. Não é fingir que nada mudou.
É ajudar a paciente a se olhar de novo com mais paz.
E, para mim, esse é um dos pontos mais bonitos da reconstrução mamária: ela não busca uma perfeição artificial. Ela busca cuidado, verdade e recomeço.