Toda cicatriz conta a história de uma lesão, cirurgia ou processo de cicatrização. Algumas se tornam discretas com o tempo. Outras podem permanecer alargadas, elevadas, endurecidas, retraídas, dolorosas ou aderidas aos tecidos mais profundos.
Nesses casos, a cirurgia plástica reconstrutiva pode ajudar não apenas na aparência, mas também no conforto e na função da região.
O tratamento é planejado de forma individual. Em situações mais simples, pode ser feita a retirada da cicatriz antiga e uma nova sutura, com melhor distribuição da tensão sobre a pele. Casos mais complexos podem exigir reposicionamento dos tecidos, zetaplastias, enxertos de pele, expansores ou retalhos.
O objetivo não é apagar completamente uma cicatriz — isso não é possível. A proposta é transformá-la em uma marca mais fina, mais bem posicionada, menos perceptível e, sempre que necessário, menos dolorosa ou restritiva.
Cicatrizes elevadas precisam de atenção especial, principalmente os queloides, que podem voltar mesmo após a retirada cirúrgica.
Por esse motivo, a cirurgia costuma ser associada a outros tratamentos, como placas ou gel de silicone, compressão, infiltrações com medicamentos, laser e, em casos selecionados, radioterapia superficial.
Betaterapia e feixe de elétrons
A betaterapia e a radioterapia com feixe de elétrons são modalidades utilizadas principalmente após a retirada de queloides. Elas atuam reduzindo a atividade exagerada das células responsáveis pela produção de colágeno, ajudando a diminuir o risco de a lesão crescer novamente.
O tratamento costuma ser iniciado logo após a cirurgia e é planejado em conjunto pelo cirurgião plástico e pelo radioterapeuta.
A escolha entre betaterapia e feixe de elétrons depende do tamanho, da localização, da profundidade e do histórico de recorrência da cicatriz. Esses recursos não são necessários para todas as cicatrizes e devem ser indicados de maneira criteriosa.
A melhora acontece gradualmente. Toda nova cicatriz precisa de meses para amadurecer, clarear e se tornar mais macia. Por isso, o acompanhamento após a cirurgia é parte essencial do resultado.
Dr. Cássio César Arrais Leão
Cirurgião Plástico
CRM DF 26070 - RQE 20448 Cirurgião Plástico
Brasília - Distrito Federal